Líder do GDF alerta para risco de “federalização” do BRB e pressiona CLDF a aprovar projeto de capitalização
Proposta enviada em 20/2 autoriza uso de 12 imóveis públicos como garantia para levantar recursos e recompor capital após exigências regulatórias ligadas a operações com o Banco Master; votação ainda não tem data, mas pauta é tratada como urgente
crédito: Ed Alves/CB/DA.Press O líder do Governo do Distrito Federal na Câmara Legislativa, deputado distrital Hermeto, do MDB, afirmou que o Banco de Brasília corre o risco de “ser federalizado” caso não seja aprovado o projeto de lei que autoriza o uso de 12 imóveis públicos como garantias para capitalização do banco. A declaração foi dada ao Metrópoles nesta segunda feira, 23 de fevereiro de 2026, após reunião com o governador Ibaneis Rocha, também do MDB, e com nove deputados da base.
Segundo Hermeto, a proposta é necessária para viabilizar um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos e, na visão dele, o BRB teria condições de pagar a operação em médio prazo. O deputado também associou a urgência do texto à necessidade de preservar o controle local do banco e afirmou que “a situação é dramática”, em referência ao cenário criado após os negócios entre o BRB e o Banco Master.
O projeto citado pelo líder governista foi encaminhado pelo Executivo à CLDF na noite de 20 de fevereiro. Pela justificativa apresentada pelo governo, a medida permite que os bens funcionem como garantia para captação de recursos e não implica, necessariamente, venda imediata do patrimônio. Na prática, o plano busca reduzir risco para credores e, com isso, diminuir o custo financeiro de uma captação destinada a recompor a situação do banco.
A Agência Brasil informou que a proposta integra um plano apresentado ao Banco Central no início de fevereiro para levantar pelo menos 2,6 bilhões de reais e recompor perdas relacionadas à aquisição de carteiras de crédito do Banco Master. A mesma reportagem lembra que, em março de 2025, o conselho do BRB aprovou a compra de 58 por cento do capital do Banco Master, em operação estimada em 2 bilhões de reais.
Do ponto de vista político, Hermeto tenta neutralizar o discurso da oposição de que a iniciativa colocaria em risco recursos ligados ao Fundo Constitucional e afirma que se trata de “garantias”, não de entrega de patrimônio ao Banco Central. Ele também disse que parlamentares não poderiam “entregar o patrimônio do BRB, de 80 bilhões de reais, ao governo federal” e alegou que uma eventual perda de controle poderia afetar empregos, citando cerca de 4,5 mil funcionários.
A tramitação, porém, segue sem data fechada para votação. Wellington Luiz, presidente da CLDF e também do MDB, declarou que o texto precisa ser tratado com urgência e que pretende se reunir com deputados na terça feira, 24 de fevereiro, às 14 horas, para decidir quando o projeto pode ir ao plenário. Ele afirmou ainda que a área técnica da Casa vai se debruçar sobre o conteúdo, especialmente sobre quais são os imóveis listados e quais riscos cada modelagem pode trazer, citando como exemplo o Centro Administrativo do Distrito Federal, o Centrad.
No mérito, o projeto abre diferentes caminhos de execução. A versão descrita pela Agência Brasil prevê que o GDF possa transferir propriedades ao BRB, estruturar operações por meio de fundos de investimento imobiliário, constituir garantias ou realizar vendas diretas, com possibilidade de combinação entre alternativas, a depender do desenho financeiro escolhido e das avaliações técnicas.
Do lado do banco, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, declarou ao Correio Braziliense que acredita em “forte demanda” pelos imóveis, argumentando que são áreas valorizadas de Brasília e região. Na entrevista, ele também mencionou que avaliações devem ser feitas por avaliadores independentes, com laudos técnicos, e indicou que a capitalização não ocorreria “diretamente por imóveis”, mas por uma estrutura financeira capaz de monetizar esses ativos.



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