PF aponta mais de dez encontros presenciais entre Daniel Vorcaro e Dias Toffoli no inquérito do Banco Master
Relatório da Polícia Federal citado por UOL sugere proximidade entre banqueiro investigado e ministro do Supremo, em meio a pedido de suspeição no caso
Imagem: Reprodução PF aponta mais de dez encontros presenciais entre Daniel Vorcaro e Dias Toffoli no inquérito do Banco Master
Relatório da Polícia Federal citado por UOL sugere proximidade entre banqueiro investigado e ministro do Supremo, em meio a pedido de suspeição no caso
Um relatório interno da Polícia Federal (PF), que foi encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, indica que o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli tiveram mais de dez encontros presenciais ao longo dos últimos anos, principalmente em eventos e jantares ocorridos em Brasília. A informação consta em trecho de reportagem divulgada pelo portal UOL.
Segundo o relatório, os encontros ocorreriam em diferentes contextos sociais e profissionais, o que atraiu atenção dos investigadores no âmbito das apurações sobre o Banco Master, instituição que foi alvo da Operação Compliance Zero da PF e posteriormente liquidada pelo Banco Central, em processo que mobiliza debate político e jurídico no país.
O documento também menciona movimentações financeiras que chamaram atenção dos agentes: repasses de cerca de R$ 35 milhões a uma empresa denominada Maridt Participações, da qual Toffoli fez parte como sócio junto a familiares, em transação envolvendo fundos ligados a Vorcaro. As transferências, apontadas em mensagens apreendidas no celular do banqueiro, ocorreriam muito tempo depois da venda de participação de um resort no Paraná ligado ao ministro.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o ministro não tem relação pessoal ou de amizade com Vorcaro, e que nunca recebeu qualquer pagamento diretamente dele ou de seus familiares, defendendo que a presença em eventos não implica em relação íntima ou favorecimento. A assessoria ressaltou que a participação societária de Toffoli na Maridt estava em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura, que permite ao magistrado receber dividendos sem exercer gestão na empresa.
O episódio ganhou contornos institucionais sensíveis após a PF pedir formalmente a suspeição de Toffoli na condução do inquérito do Banco Master — uma medida que, juridicamente, caberia ao presidente do STF decidir se deve manter ou afastar o ministro como relator da investigação.
O caso tem gerado repercussões políticas. Parlamentares chegaram a sugerir a convocação do ministro à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos, enquanto a própria Corte enfrenta pressões internas quanto à forma de lidar com a questão.



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